Cerimônia aconteceu no dia 29 de março, na Igreja Red, em Indaiatuba, e transformou o batismo de Matheus em um testemunho de inclusão real dentro da vida da igreja.
O batismo de um jovem surdo em Indaiatuba, no interior de São Paulo, ganhou repercussão nesta semana por um motivo que vai além da emoção da cena. Para conduzir o momento de forma direta e pessoal, o pastor Tiago Mattes aprendeu Libras e falou com Matheus em sua própria língua durante a cerimônia realizada no último domingo, 29 de março, na Igreja Red.
O que torna essa história relevante não é apenas o gesto bonito, mas o que ele revela sobre a compreensão do Evangelho dentro da comunidade cristã. Em vez de transformar o jovem em mero espectador de uma liturgia pensada para ouvintes, a igreja fez o caminho contrário: adaptou-se para que ele pudesse viver plenamente um dos momentos mais simbólicos da fé cristã. O batismo, nesse caso, deixou de ser apenas um rito e se tornou também uma afirmação concreta de pertencimento.
A força do episódio está justamente na simplicidade da decisão pastoral. Aprender Libras para esse momento significou reconhecer que comunicar o Evangelho não é apenas transmitir uma mensagem, mas fazê-lo de modo compreensível, digno e pessoal. Quando isso acontece no batismo, ato que marca publicamente a fé e a entrada visível na comunidade, a inclusão deixa de ser discurso e passa a ser prática.
Esse cuidado não apareceu como algo isolado. A própria Igreja Red informa que mantém culto com acessibilidade em Libras, o que mostra que o batismo de Matheus nasce dentro de uma cultura comunitária de acolhimento, e não de uma ação pontual para gerar repercussão. Isso dá mais peso à notícia: o que emocionou as redes foi um gesto individual, mas o que sustenta esse gesto é uma igreja que já decidiu abrir espaço real para pessoas surdas em sua vida comunitária.







