Governo interino, repressão interna e reações internacionais marcam novos desdobramentos na Venezuela
A situação na Venezuela entrou em uma nova fase crítica após uma operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro de 2026, em Caracas. A ação desencadeou um cenário de instabilidade política, repressão interna e reações globais, com desdobramentos que se espalham pela América Latina.
Após a captura de Maduro, o vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossado como presidente interina pelo Supremo Tribunal de Justiça venezuelano, com apoio das Forças Armadas, situação que agravou ainda mais as tensões no país. Relatos indicam que Rodríguez assumiu com o respaldo de comandantes militares, enquanto elementos paramilitares conhecidos como “colectivos” intensificaram a repressão em Caracas, incluindo detenção de jornalistas e civis, bloqueio de protestos e uso de medidas de controle social sob decreto de estado de emergência.
Repressão interna e temor da população
Testemunhas e organizações internacionais relataram um clima de medo nas ruas. Pelo menos 14 jornalistas foram detidos temporariamente, tendo seus equipamentos e dados confiscados, sob acusações de “disseminação de informações falsas”, como parte de um esforço mais amplo de controlar a narrativa da crise. O cenário político interno também mostra confrontos isolados e relatos de disparos em áreas próximas ao Palácio Presidencial, enquanto o governo atribui incidentes a atividades não autorizadas.
Especialistas e a oposição venezuelana denunciam uma intensa repressão contra dissidentes e manifestantes, com líderes políticos exilados, prisões arbitrárias e restrições severas à liberdade de expressão. Grupos de direitos humanos observam com preocupação o aumento dos abusos, incluindo detenções e medidas que intimidam críticos do novo governo.
Reações regionais e internacionais
A repercussão internacional tem sido ampla:
- Em nível global, houve condenações no Conselho de Segurança da ONU, com países como Brasil, China e Rússia questionando a intervenção e classificando a ação como uma violação da soberania venezuelana.
- A Colômbia anunciou intenção de declarar estado de emergência econômica, social e ambiental, em resposta à crise e à ameaça de um grande fluxo migratório através da fronteira.
- Sanções econômicas e medidas restritivas contra aliados de Maduro também foram implementadas, como o congelamento de ativos de figuras ligadas ao ex-governo em países como a Suíça.
Enquanto isso, líderes da oposição como María Corina Machado anunciaram planos de retornar ao país para disputar uma transição democrática, apesar das tensões políticas persistirem.