Cory Asbury, autor do hino de adoração mais tocado da última década, revelou em postagem viral que abandonou deliberadamente a fé após o sucesso de “Reckless Love” — e que um confronto direto do cantor Forrest Frank foi o ponto de virada para sua restauração
A ironia é quase insuportável: o homem que escreveu que Deus “persegue e luta até encontrar” passou cinco anos fugindo Dele. Na última semana, o cantor e compositor Cory Asbury — autor de “Reckless Love”, conhecida no Brasil como “Ousado Amor” — revelou publicamente que viveu um longo período de afastamento deliberado de sua fé cristã, e que retornou ao ministério de adoração no outono de 2025.
A postagem no Facebook, publicada em 11 de maio de 2026, acumulou quase 8 mil curtidas em poucas horas e viralizou em toda a comunidade cristã anglófona — sendo coberta por CBN News, Christian Post, Christianity Report e JubileeCast. Em suas próprias palavras, ao fechar a postagem: “I am The One. Thank you, Jesus.” — referência direta à parábola da ovelha perdida.
Asbury não apresentou sua ausência como crise de fé ou burnout. Ele usou uma palavra mais pesada: fuga deliberada. Em entrevista e postagem, descreveu o arco assim:
O ponto de partida foi o próprio sucesso de “Reckless Love” (2018) — que gerou exposição massiva à indústria da música cristã e revelou um lado que ele “não esperava ver”. A adoração, que era sua conexão mais direta com Deus, passou a parecer “contaminada” pelo aparato comercial ao redor.
“Vi algumas coisas que não esperava ver. A única coisa que me conectava a Deus — a adoração — se sentia contaminada”, ele confessou.
O afastamento tomou forma. Durante anos, Asbury não apenas parou de ministrar — ele adotou uma postura crítica e pública contra a igreja e a indústria, o que ele hoje reconhece como erro grave. “Eu estava fazendo a obra de Saul, perseguindo a igreja, supondo que tinha o terreno moral elevado, mesmo estando afundado no meu próprio chiqueiro”, escreveu — referência direta ao filho pródigo de Lucas 15.
A última música de adoração que gravou antes de se afastar foi chamada “Homecoming” — “como conveniente”, escreveu ele.
O retorno de Cory Asbury não aconteceu no silêncio de um quarto. Aconteceu por causa de uma conversa difícil.
Forrest Frank — cantor cristão eleito Artista do Ano no 56º GMA Dove Awards (2025) — procurou Asbury pessoalmente após anos de tensão pública entre os dois. Asbury voou até San Diego para passar uma semana com Frank.
“Oramos juntos, louvamos juntos, e algo dentro de mim simplesmente mudou. Comecei a recuperar e reavivar aquele primeiro amor que tenho por Jesus desde jovem”, relatou.
Ao descrever o encontro, Asbury citou Provérbios 27:6: “Fiéis são as feridas de um amigo”. E foi direto: “A repreensão do meu irmão (Forrest) conquistou para o céu mais uma alma”.
A restauração de Asbury teve um custo concreto e verificável:
Ele tinha um contrato discográfico ativo com pagamento já recebido para entregar um álbum de música country — havia escrito aproximadamente 80 músicas nessa linha e estava pronto para lançar 20 delas.
Ao voltar da semana em San Diego com Forrest Frank, ele olhou para a esposa com lágrimas nos olhos e disse: “Não é o momento de lançar essa música agora; é o momento de fazer música de Jesus”.
O contrato foi rescindido. O álbum country foi arquivado. Em seu lugar, Asbury anunciou um novo projeto de adoração que ele descreve como um retorno à simplicidade: “Há esperança para mim. E acredito que há esperança para outros também”.
Para quem não conhece o nome mas conhece a música: “Reckless Love” — “Ousado Amor” na versão em português — é um dos hinos de adoração mais tocados em igrejas evangélicas brasileiras na última década. A letra descreve o amor de Deus como algo que “persegue, luta até encontrar, deixa os noventa e nove” — referência à parábola da ovelha perdida.
A música foi originalmente lançada em 2017 pela Bethel Music e chegou ao mainstream cristão americano em 2018, ganhando indicações ao Grammy e alcançando posições de destaque nas rádios gospel americanas. No Brasil, versões em português foram gravadas por dezenas de ministérios e cantores, tornando-a um dos hinos mais conhecidos da geração atual de adoração contemporânea.
Asbury também chegou a propor o “Jesus Bowl 2026” — uma alternativa cristã ao show do intervalo do Super Bowl LX — projeto que chegou a ganhar apoio de artistas e produtoras, mas foi cancelado meses depois antes de se concretizar.







