Fé que Serve: a cozinha que nunca apaga o fogo em Osasco

Em Osasco e região, igrejas evangélicas mantêm estruturas permanentes de alimentação e distribuição de alimentos que funcionam além dos cultos e dos mutirões pontuais. Elas operam todo santo dia, sem câmera, sem holofote

A cada primeiro sábado do mês, um grupo de voluntários sai pelas ruas do Jardim Bonança e da Avenida Panorâmica, em Osasco, distribuindo 100 marmitas e garrafas de água para pessoas em situação de rua. No terceiro e quarto sábados, o mesmo grupo entrega cestas básicas para famílias cadastradas em comunidades assistidas. Não há placa na fachada, não há press release. Há só uma cozinha que não apaga o fogo.

Esse é um retrato de como parte da comunidade evangélica de Osasco opera nas bordas da cidade: de forma silenciosa, contínua e enraizada nos bairros. Enquanto os grandes eventos gospel lotam avenidas e geram manchetes, é nas cozinhas das igrejas que outra história acontece.

A Igreja Evangélica Avivamento da Fé, com sede na Avenida Novo Osasco, 700, no Jardim Bussocaba, é um dos exemplos mais visíveis dessa estrutura permanente em Osasco. Sua sede é um complexo que vai muito além do templo: restaurante próprio, cozinha industrial, salão de eventos, escola, quadra poliesportiva, estúdio de rádio e TV, estacionamento para mais de 400 carros e área verde. O templo comporta 2.500 pessoas sentadas.

O pastor Dejair Batista Silvério preside a congregação há mais de 35 anos. Sob sua liderança, o Avivamento da Fé construiu uma estrutura que funciona como uma comunidade autossuficiente, onde a ação social não é um evento no calendário mas uma operação cotidiana integrada à vida da igreja.

A Igreja Evangélica Avivamento Bíblico, também em Osasco, mantém o projeto “Dia Feliz”, que oferece gratuitamente orientação psicológica, assessoria jurídica, atendimento odontológico, corte de cabelo, aferição de pressão arterial, bazar de roupas, café da manhã e atividades recreativas para crianças. O projeto é conduzido inteiramente por voluntários da própria congregação, profissionais de diferentes áreas que doam seu tempo e habilidades.

O modelo não é pontual: a estrutura de voluntariado está montada para se repetir com regularidade, transformando a ação social em cultura institucional dentro da igreja.

O que essas iniciativas têm em comum vai além da generosidade individual. Elas revelam um modelo de igreja que reconhece o bairro como sua responsabilidade. Em Osasco, cidade com mais de 700 mil habitantes e bolsões de vulnerabilidade social espalhados pela periferia, essa presença capilar das congregações faz diferença onde o Estado demora a chegar.

A cozinha que nunca apaga o fogo não está nos relatórios municipais. Ela está na Av. Novo Osasco, no Jardim Bonança, no Jardim Bussocaba. Está onde a fome é real e onde a fé decidiu responder com panela e não só com oração.

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