Em Camboriú, pastora abordou violência doméstica, citou números de denúncia e desafiou lideranças a acolher vítimas — vídeo viralizou no TikTok e no Instagram
No palco do 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú (SC), a pastora e conferencista Helena Raquel (RJ) transformou sua ministração em um ato público de proteção. Em discurso realizado durante o congresso e publicado no canal oficial dos Gideões no YouTube em 2 de maio de 2026, ela abordou diretamente a violência doméstica, incentivou mulheres a denunciarem casos de agressão e citou os canais oficiais de atendimento. O vídeo viralizou nas redes sociais, com ampla repercussão no TikTok e no Instagram, gerando comentários e compartilhamentos sobre o papel das lideranças religiosas diante do tema.

A pastora foi direta. Sem rodeios teológicos, ela nomeou um problema que, segundo ela própria, raramente é enfrentado com honestidade dentro do ambiente evangélico:
“A maior parte das pessoas que são vítimas em igrejas evangélicas de violência doméstica ou de violência sexual são orientadas a não denunciar o culpado para evitar. O que eu estou dizendo aqui é um saber empírico.”
Em outro momento da pregação, Helena Raquel se dirigiu diretamente às mulheres em situação de risco:
“Você precisa com urgência ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro. Não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride mata. Saia daí.”
E em uma frase que sintetizou a força simbólica do discurso — dirigida às mulheres que permanecem em relacionamentos abusivos por pressão espiritual do parceiro:
A pastora também destacou que situações de abuso não devem ser encobertas pelas igrejas e que lideranças religiosas têm responsabilidade prática — e não apenas pastoral — na proteção das vítimas
Durante a ministração, Helena Raquel listou publicamente os canais oficiais de denúncia e apoio:
| Canal | Para quê |
|---|---|
| Disque 180 | Atendimento a mulheres em situação de violência — gratuito, 24h |
| Disque 100 | Denúncia de violações contra crianças e adolescentes |
| 190 | Polícia Militar — emergências |
| 197 | Polícia Civil — denúncias |
A fala de Helena Raquel encontra respaldo em dados que evidenciam a relevância do tema. Levantamentos da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, atualizados em 2025, indicam que cerca de 40% das mulheres que sofrem violência doméstica no Brasil se declaram evangélicas — o que reforça a necessidade de que o tema seja tratado com abertura também dentro dos espaços de fé.
A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher do DataSenado, em parceria com o Instituto Nexus (2025), mostra que 69% das mulheres evangélicas procuram a igreja como primeiro espaço de apoio após uma agressão — índice superior ao da família (58%) e das delegacias (menos de 30%). O número revela que a comunidade de fé é , muitas vezes, o primeiro ponto de contato dessas mulheres — e, por isso, a preparação das lideranças para acolher e orientar corretamente torna-se uma responsabilidade concreta.







