50 mil mesquitas fechadas por falta de fiéis. Até 1 milhão de convertidos. Sonhos, visões e Bíblias digitais: o que está acontecendo no Irã é o que muitos chamam de maior avivamento do século XXI
Existe um país onde ser cristão pode custar a liberdade ou a vida. Um lugar onde igrejas são ilegais, Bíblias são proibidas e abandonar o islamismo é crime punível pela lei do Estado. Esse país é o Irã e, paradoxalmente, é exatamente lá que o Evangelho avança com uma velocidade que especialistas em missões descrevem como sem precedentes na história moderna.
Os números são difíceis de ignorar. O clérigo sênior iraniano Mohammad Abolghassem admitiu que 50 mil das 75 mil mesquitas do país foram fechadas por falta de frequência. No sentido oposto, organizações que monitoram a perseguição religiosa estimam que o Irã abriga entre 800 mil e 1,3 milhão de cristãos a grande maioria convertida do islamismo, adorando em segredo, em pequenas igrejas domésticas clandestinas.
O Irã ocupa a 10ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.
O que mais espanta os missionólogos não é apenas a quantidade de conversões é a forma como elas estão acontecendo. Há uma enxurrada de relatos de iranianos que se converteram ao cristianismo após terem sonhos e visões com Jesus, antes mesmo de qualquer contato com um evangelizador.
Mohamad Faridi, líder do ministério Iranian Christians International e ele próprio um iraniano convertido, descreve o que está vendo com palavras diretas:
“O Islã está morrendo, pois nunca se viu nada morrer tão rápido dentro do Irã. A religião está morta no Irã.”
Os convertidos baixam Bíblias digitais, assistem a sermões pelo celular e se reúnem clandestinamente em casas. A perseguição é real líderes podem ser presos, interrogados e torturados. Mas a fé não recua.
“Eles não se importam se morrerem por Jesus”
O pastor iraniano Hormoz Shariat, fundador do ministério Iran Alive e ele mesmo ex-muçulmano, acompanha de perto o crescimento da igreja clandestina. Sua descrição dos crentes iranianos é ao mesmo tempo perturbadora e edificante:
“Os crentes no Irã estão cheios do Espírito Santo. Eles são corajosos. Eles não se importam se morrerem por Jesus. Muitos estão vivendo por Jesus e alguns estão morrendo por Ele e eles não se importam.”
E acrescenta, com convicção:
“Quando você sai das trevas para a luz, você valoriza a luz. Eles amam Jesus. Eles apreciam a luz e acreditam que o Irã será uma nação cristã.”
Em janeiro de 2026, uma onda de protestos nacionais tomou as ruas do Irã, desencadeada por pressões econômicas e pela opressão do regime. Durante as manifestações, iranianos queimaram mesquitas e declararam publicamente sua rejeição à ideologia do governo. Mais de 2 mil pessoas foram mortas pela repressão, segundo a Reuters.
A pesquisa independente do grupo holandês GAMAAN, realizada com métodos digitais anônimos para garantir respostas honestas num país de controle totalitário, descobriu que 80% dos iranianos preferem um governo democrático e que muitos já abandonaram formalmente o islamismo. O governo reconhece oficialmente apenas 130 mil cristãos limitados às minorias étnicas tradicionais, como armênios e assírios. A discrepância entre os dados oficiais e as estimativas independentes revela o tamanho da perseguição: ser contado como cristão no Irã significa já ter sido descoberto.
A Missão Portas Abertas e organizações como a Voz dos Mártires convergem para um cenário comum: o crescimento da Igreja iraniana representa uma das taxas de expansão do cristianismo mais rápidas do mundo impulsionada não por campanhas ou cruzadas, mas por sonhos, testemunhos, satélites e a busca humana por uma esperança que o regime não conseguiu oferecer.
Há uma pergunta silenciosa que a história do Irã faz à Igreja no Brasil e no mundo ocidental. Nós, que temos liberdade para pregar nas ruas, nas igrejas, nas redes sociais, nos cultos abertos, nas rádios e nas TVs: o que fazemos com essa liberdade?
No Irã, cristãos arriscam a vida para participar de um estudo bíblico. No Brasil, muitas vezes falta disposição para cruzar a rua e falar de Jesus com o vizinho. Ali, a perseguição produz fogo. Aqui, às vezes, a confortável liberdade produz morno.
Talvez a maior lição da Igreja iraniana não seja sobre coragem diante da morte mas sobre o que acontece quando alguém realmente encontra a luz depois de ter vivido nas trevas. Nesse encontro, nenhuma lei islâmica, nenhum regime e nenhuma ameaça de prisão tem sido suficiente para apagar o que Jesus acendeu.