Depois de ver uma família ser deixada sem suporte ao visitar uma igreja, Josh Raffeo passou 12 anos construindo algo que ninguém havia feito antes: uma comunidade onde pessoas com deficiência não são toleradas são protagonistas
Uma em cada seis pessoas nos Estados Unidos possui algum tipo de deficiência diagnosticada. No caso do autismo especificamente, a incidência já alcança uma em cada 31 americanos. São milhões de pessoas e, por muito tempo, invisíveis dentro das igrejas.
Foi diante dessa realidade que o pastor Josh Raffeo, com 27 anos de atuação no ministério infantil, decidiu agir. Cerca de 12 anos atrás, uma família com uma criança com deficiência visitou a igreja onde ele servia e descobriu que não havia absolutamente nenhum suporte disponível. Aquele momento mudou o rumo de sua missão.
Josh não ficou apenas incomodado. Ele estudou, se capacitou e criou o Champions Club um ministério voltado inicialmente a crianças com deficiência que, com o tempo, foi expandido para atender também adolescentes e adultos.
A iniciativa é hoje coordenada pela Rede Ministerial do Sul da Califórnia, lançada formalmente em 2026, com o objetivo de capacitar congregações a desenvolverem seus próprios ministérios inclusivos. O impacto foi imediato: atualmente, cerca de 70 igrejas da região estão implementando ações voltadas a pessoas com deficiência e suas famílias.
A convicção teológica de Josh é simples e direta:
“Percebemos que havia uma comunidade inteira que não estava sendo alcançada pelo Evangelho, mas a Grande Comissão inclui a todos.”
O projeto vai além de boa vontade. Josh desenvolveu materiais adaptados para diferentes necessidades físicas, intelectuais e cognitivas, permitindo que cada participante aprenda sobre Jesus de acordo com seu nível de compreensão e faixa etária. O cuidado se estende também às famílias: pequenos grupos de apoio a pais oferecem acolhimento, orientação e comunhão para quem frequentemente chega às igrejas já exausto e sem esperança.
Os testemunhos falam por si. Kathy Hernandez, mãe de uma menina autista não verbal, compartilhou o momento que mais marcou sua vida:
“Um dia, uma música que ela conhecia tocou em uma rádio cristã enquanto dirigíamos e, de repente, ela começou a cantar trechos da música. Essa foi a primeira vez que ouvimos a voz dela! Deus é tão bom para nós, pois a primeira vez que ouvimos a voz da nossa filha foi cantando um louvor.”
Outra mãe, Carly, chegou ao Champions Club depois de ser convidada a se retirar de cinco igrejas diferentes por conta do comportamento do filho autista:
“Já tinha desistido da igreja. Então, ouvimos falar do Champions Club. Já se passaram quase dois anos e meu filho mal pode esperar para ir à igreja! Graças a Deus.”
Em maio de 2026, o ministério deu um passo histórico com o lançamento do Masterpiece Ministries considerado a primeira igreja da região não apenas voltada para pessoas com deficiência, mas liderada por elas.
A equipe inclui recepcionistas, músicos e voluntários com deficiência que participam ativamente dos cultos e estudos bíblicos. Durante uma das reuniões, Josh testemunhou um momento que marcou a todos:
“Vimos um dos homens não verbais levantando as mãos em adoração e tentando cantar para o Senhor. Os voluntários ficaram tão tocados pelo Espírito Santo e pela experiência que começaram a chorar.”
A história de Josh Raffeo não é apenas uma notícia dos Estados Unidos, é um espelho. No Brasil, segundo o IBGE, cerca de 18,6 milhões de pessoas possuem alguma deficiência. A pergunta que a experiência californiana nos faz é direta: quantas dessas pessoas já foram à porta de uma igreja e encontraram o mesmo vazio que levou Carly a desistir cinco vezes?
A Grande Comissão (Mateus 28:19) não faz distinção de capacidade cognitiva, motora ou sensorial. E talvez a maior barreira para que essas pessoas cheguem a Jesus não seja a distância geográfica de uma igreja mas a ausência de braços prontos para recebê-las dentro dela.







