No Overmission SP 2026, o evangelista Luca Martini pregou sobre o maior equívoco da geração cristã atual: achar que missão é o que acontece nas férias
Era 9 de maio. Doze horas contínuas de adoração. O Ginásio da Portuguesa, em São Paulo, reunia jovens de todo o Brasil. E no meio daquele encontro, o evangelista Luca Martini fundador do movimento Overmission parou a programação, pediu para o público sentar e fez uma afirmação que atravessou o ambiente inteiro:
“Não preciso que você chegue na segunda-feira e peça demissão para fazer missão. Preciso que você chegue na segunda-feira e peça visão para perceber o campo missionário que você já está.”
A frase resume o coração da mensagem pregada no Overmission SP 2026 e levantou questões que muitos cristãos carregam há anos sem resposta.
Luca Martini abriu sua pregação com um dado que poucos esperam ouvir em um evento missionário: quase 45% das pessoas que nunca ouviram o evangelho estão nas grandes cidades do mundo São Paulo, Londres, Nova York, nas capitais, nos centros urbanos.
“Quando pensamos em missão, pensamos num vilarejo no fim do mundo. Mas Jesus não falou só dos confins da terra. Ele falou de Jerusalém, da Judeia, da Samaria ele falou das cidades também.”
A leitura tradicional do chamado missionário, segundo ele, criou uma geração paralisada entre dois extremos: ou o jovem abandona tudo para se tornar missionário em tempo integral, ou passa a vida inteira apenas doando para apoiar missionários de longe. E nenhuma das duas opções parece possível para a maioria.
“Nos próximos anos, as capitais serão os lugares menos alcançados da terra. As grandes cidades serão os lugares menos alcançados pelo evangelho. É por isso que precisamos de uma nova mentalidade.”
A pregação de Luca Martini encontrou fundamento bíblico em 1 Coríntios 9, onde Paulo escreve: “Eu me fiz de tudo para com todos, para de alguma forma ganhar alguns.” Mas a exegese foi além do texto tradicional.
Martini trouxe um dado histórico que passa despercebido na maioria das pregações sobre Paulo: o apóstolo era fabricante e vendedor de tendas. Não era um pregador em tempo integral sustentado por igrejas era um comerciante que pregava.
“Se você não encontrasse Paulo na sinagoga, você o encontraria no mercado. Os historiadores dizem que Paulo de Tarso veio de uma família de comerciantes. E foi exatamente essa vida secular que deu a Paulo o tato, o coração para ele se tornar quem seria.”
O exemplo de Atenas é citado: Paulo chega, observa a cidade, cita pensadores gregos e usa referências da filosofia local para pregar o evangelho. “Você acha que Paulo aprendeu isso lendo a Bíblia? Não. Ele aprendeu na mesa do comércio, quando atendia os gregos, entendia o que pensavam, como falavam. Mas se nós nos alienarmos do mundo, como vamos falar a língua dele de novo?”
Martini não ficou apenas na teoria. Ele narrou um período da própria vida, quando foi trabalhar como barista em uma rua de Londres chamada Bricklane e, por suas próprias palavras, um “péssimo barista”.
“Eu saía todos os dias de casa às 5h20. Abria o café às 6 da manhã. E ia falando com Deus: ‘Deus, nem só de café viverá o homem. Preciso de uma oportunidade hoje para falar da Sua Palavra.'”
Naquele café, ele conta que conversou com pessoas que nunca entrariam numa igreja. Pessoas que foram tomar um café e encontraram em um barista alguém com uma missão maior do que o trabalho que exercia.
“Não é porque eu tinha uma missão maior que eu abandonei meu trabalho. Eu fiz meu trabalho para que a missão acontecesse. E naquele lugar aconteceu.”
A frase que Luca Martini diz estar em seu canal do YouTube desde o primeiro dia é também a tese da sua pregação: “A vida é uma viagem missionária”.
Isso inclui, segundo ele, o pai de família, o torcedor que vai ao estádio, o profissional de tecnologia, o estudante universitário, o dono do pequeno negócio, o criador de conteúdo:
“A missão não acontece uma vez por ano, nas férias. Acontece enquanto eu respiro. Acontece em todos os momentos. Nós que fomos reconciliados, nós também pregamos e por nosso meio, Deus faz o Seu apelo ao mundo.”
A citação final era de 2 Coríntios 5, onde Paulo conclui: “Reconciliem-se com Deus” e nós, que já fomos reconciliados, somos os embaixadores desse apelo.
Martini encerrou a pregação com um convite concreto: o movimento OVERFLOW, encontro mensal de evangelismo de rua na Praça da Sé, em São Paulo, toda terça-feira às 19h. Em edições anteriores, o evento registrou curas de lesões ortopédicas, psoríase, alergias de pele e pés chatos durante as orações na praça.
“Nós estamos lá porque as grandes cidades precisam de cristãos que não estão esperando a missão começar. Estamos lá porque a missão já começou.”
Nos próximos meses, o Overmission ainda levará o evento para Brasília no dia 8 de agosto e Vitória-ES no dia 12 de setembro.







