Leandro Silva defendeu o Audax de Osasco por seis anos, se afastou da igreja para viver o sonho do futebol profissional e encontrou em campo as marcas que o fariam voltar a Deus
O sonho de todo garoto que cresce nas peladas dos bairros da Grande SP é o mesmo: chegar ao futebol profissional. Leandro dos Santos Silva chegou. Seis anos vestindo a camisa do Audax de Osasco, um dos clubes mais tradicionais da cidade. Mas o caminho que começou com a bola terminou com uma Bíblia nas mãos e um propósito maior do que qualquer campeonato.
A história de Leandro é a de muitos jogadores que a torcida não conhece: o garoto criado em lar cristão que, ao ingressar no futebol profissional, foi ficando para trás nos cultos e na vida de fé. Não foi por rejeição foi pelo ritmo. Viagens, treinos, contratos, a pressão de se manter no elenco. A igreja ficou cada vez mais distante.
No futebol profissional, as lesões físicas são esperadas. As emocionais, nem sempre.
Leandro não detalhou publicamente quais foram os “problemas pessoais” que marcaram seu fim de carreira mas quem já viveu o ambiente do futebol profissional reconhece a combinação: instabilidade de contrato, pressão por resultado, o silêncio dos vestiários quando o desempenho cai. E, no meio disso tudo, a ausência de uma ancora espiritual.
“Eu cresci em lar cristão, mas me afastei da igreja para seguir carreira no futebol profissional”, contou o ex-jogador em depoimento à Escola de Evangelismo Voluntário da Igreja Adventista do Sétimo Dia. “Depois de enfrentar problemas pessoais e algumas lesões, eu decidi deixar o esporte e voltei a praticar os ensinamentos aprendidos desde a infância.”
O retorno não foi apenas à fé. Foi a uma missão.
Leandro encontrou no pastor e ex-jogador Cirilo Gonçalves um projeto que parecia feito para ele: o Advento Futebol Clube Gol e Missão.
Criado no Estado de São Paulo, o ministério reúne atletas e ex-atletas do futebol profissional que hoje são cristãos e usam sua história dentro de campo como porta de entrada para falar do evangelho a jogadores ainda em atividade. A ideia não é formar um time é formar um grupo de evangelistas com credencial esportiva.
“Os jogadores de futebol são extremamente protegidos”, explica Cirilo Gonçalves, fundador do projeto. Assessores, empresários, comissões técnicas criam barreiras invisíveis em torno dos atletas. Mas um ex-companheiro de vestiário atravessa essas barreiras com naturalidade. Ele não precisa de credencial ele tem testemunho.
O fundador do projeto conhece o cheiro do gramado por experiência própria. Cirilo Gonçalves foi formado nas categorias de base do Grêmio Esportivo Sorocabano e passou por clubes como São Bento, Guarani Saltense, Guaçuano e Rio Branco de Andradas (MG).
Ao conhecer a mensagem cristã, abandonou os gramados para cursar Teologia e não parou mais. Hoje, Cirilo é Doutor e Pós-Doutor em Teologia e Pregação Expositiva pela Universidade Mackenzie (CPAJ) em parceria com o Reformed Theological Seminary (RTS) dos Estados Unidos. Lidera o departamento de Evangelismo da Associação Paulistana da Igreja Adventista e conduz o grupo “Advento Gol e Missão” com encontros mensais e eventos evangelísticos para o meio esportivo.
Leandro Silva poderia ter deixado o futebol e simplesmente ido embora para a vida normal, para um emprego qualquer, para o silêncio de quem desistiu de um sonho sem fazer barulho.
Em vez disso, ele escolheu usar exatamente o que tinha seis anos no Audax de Osasco, um nome que abre vestiários, e uma história de queda e restauração para falar com quem ainda está dentro do campo.
“Hoje eu estou aqui pra contar um pouquinho da minha história porque eu tenho certeza que com o meu testemunho eu posso motivar outras pessoas a retornarem aos caminhos do Senhor.”
Esse é o gol que não entra no placar. Mas conta para a eternidade.







