Após críticas de líderes cristãos e parlamentares, governo reconhece falhas na avaliação que havia elevado a classificação indicativa do programa para 12 anos.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) voltou atrás e restabeleceu, na terça-feira (3 de novembro), a classificação livre do programa Record Kids: desenhos bíblicos, exibido pela Record TV. A decisão reverte a medida anunciada em 28 de outubro, que havia considerado a atração não recomendada para menores de 12 anos.
Em comunicado oficial, o ministério reconheceu que a avaliação anterior não aplicou integralmente os critérios previstos no Guia Prático de Classificação Indicativa de 2025. Segundo a pasta, a análise deixou de considerar adequadamente o contexto cultural e religioso das histórias bíblicas, além de fatores como a estética infantil das animações e o caráter fantasioso das cenas de violência.
Decisão provocou reações de líderes cristãos
A mudança inicial gerou críticas entre lideranças evangélicas e parlamentares. Segundo o portal Guiame, a cantora e pastora Ana Paula Valadão e os pastores Gustavo Bessa e Renato Vargens estiveram entre os que se manifestaram sobre a medida.
A controvérsia também chegou à Justiça. Conforme noticiado pelo Metrópoles, o advogado Wilian Frata apresentou uma ação popular pedindo a suspensão da classificação de 12 anos, sob a alegação de censura e perseguição religiosa. Apesar da repercussão, o Ministério da Justiça afirmou que a revisão foi realizada por iniciativa própria, após reavaliação dos critérios técnicos.
Ministério reconhece proteção às narrativas religiosas
No novo entendimento, a pasta destacou que a apresentação de histórias bíblicas por meio de desenhos infantis constitui uma manifestação cultural protegida pela Constituição Federal e deve receber tratamento equivalente ao de outras tradições culturais e religiosas. O Record Kids: desenhos bíblicos reúne 36 episódios animados com histórias do Antigo e do Novo Testamento.
O ministério também reforçou que a classificação indicativa tem caráter informativo, destinado a orientar pais e responsáveis, sem representar censura ou proibição de exibição. Com a revisão, a atração volta a ser considerada adequada para todas as faixas etárias. No comunicado de 3 de novembro, o governo informou que a decisão seria publicada no Diário Oficial da União e que a Record receberia comunicação formal.







